th (3)

Freddie Mercury e o vazio da aids. 

A morte de Freddie Mercury deixou um vazio na música. Em 24 de novembro de 1991, o vocalista de uma das maiores bandas de todos os tempos, o Queen, morreu aos 45 anos em decorrência de uma broncopneumonia intensificada pelos os problemas causados pela AIDS, doença com a qual foi diagnosticado quatro anos antes.

O mundo só entendeu o estado de saúde do cantor um dia antes de sua morte, com a divulgação de uma nota em que Freddie revelava ser portador do vírus HIV. Desde 1987, com o diagnóstico, o artista guardou a situação em segredo e apenas pessoas próximas o acompanharam na luta contra a doença. 

Como ele queria, a batalha foi travada sem o conhecimento do público e curiosidade da imprensa. Mas, mesmo assim, ela não foi menos dolorosa. Na época em que Mercury recebeu a notícia, ter AIDS era extremamente trágico e as pessoas morriam pouco tempo depois de serem infectadas.

  Não existiam tratamentos capazes de retardar o avanço da imunodeficiência, como os que temos nos dias de hoje. Assim, o cantor conseguiu continuar com a produção de músicas para o Queen e a viver sua rotina normal por algum tempo, até que não conseguia mais ignorar as dores crônicas e problemas de saúde que não iriam embora.

Anos depois da morte de Freddie, seus colegas de banda continuam relembrando seu legado e os momentos marcantes que tiveram com o ímpar vocalista. O guitarrista Brian May, por exemplo, disse recentemente em entrevista ao Greatest Hits Rádio que “ele [Freddie] está sempre em meus pensamentos”. 

No livro ‘Queen in 3-D’, publicado em 2017, May contou detalhes sobre a rotina do Queen por dentro a partir de 300 fotografias 3-D nunca antes publicadas e um texto nostálgico relatando a trajetória dos integrantes da banda.

Foi no prólogo da publicação que o guitarrista também revelou detalhes sobre a batalha travada por Mercury contra a AIDS. Segundo Brian, o vocalista da banda começou a perder parte de um dos pés devido ao vírus com o qual foi diagnosticado. 

No livro, que conta com um arquivo pessoal impressionante acumulado ao longo das décadas de existência do Queen, o músico escreveu que “o problema [durante o tratamento contra AIDS] era realmente o pé dele e, tragicamente, havia sobrado muito pouco dele.”

O guitarrista também relembrou um dia que estava jantando com Freddie e viu o pé do vocalista pela primeira vez e a citação foi repercutida pelo portal UOL, antecipada pelo jornal The Sunday Times. 

“Ele [Mercury] mostrou para nós como estava o pé em um jantar. “E, ele disse: ‘Oh, Brian, me desculpe por ter te chateado mostrando isso’. E eu disse: ‘Não estou chateado com isso, Freddie, apenas por perceber que você tenha que aguentar tanta dor’”, relatou May. Como não existiam tratamentos capazes de melhorar a qualidade de vida de uma pessoa portadora do vírus HIV, a saúde dessas pessoas deteriorava-se fácil e rapidamente. Foi o caso de Freddie, que viu seu estado piorar ainda mais em seus últimos meses de vida.

   A situação do pé do cantor já estava complicada, mas agravou-se tanto que uma amputação foi necessária. No texto, o guitarrista não disse a data exata da operação, mas é provável que tenha sido pouco tempo antes de Freddie morrer. Outra questão levantada por Brian no livro é que o surgimento de medicamentos e recursos terapêuticos para parar o avanço da AIDS aconteceu alguns meses após a morte do cantor, em 24 de novembro de 1991.

“Ele perdeu a chance por uma diferença de apenas alguns meses. Se tivesse um pouco mais de tempo ele ainda estaria com a gente, tenho certeza. Mas não se pode pensar assim porque senão você fica louco”, lamentou o artista.

O que é aids?

A aids é uma doença crônica que danifica o sistema imunológico e a capacidade do organismo de se defender contra outras infecções, como neurotoxoplasmose, pneumocistose e 

tuberculose. A sigla AIDS significa síndrome da imunodeficiência adquirida (acquired immunodeficiency syndrome em inglês).

O que causa a aids?

A aids é causada pelo vírus HIV e é o estágio mais avançado da infecção por HIV. O HIV é um vírus sexualmente transmissível, mas que também pode ser transmitido pelo sangue infectado e de forma vertical, ou seja, a mãe com HIV passa o vírus para o filho na gravidez, parto ou amamentação. A principal forma de prevenção é o uso de preservativos, visto que qualquer tipo de relação sexual pode transmitir o vírus. 

Quais são os sintomas da aids?

A aids tem inúmeros sintomas, que aparecem em fases. Os primeiros sintomas são: febre, fraqueza, emagrecimento e diarreia prolongada. Na fase inicial da doença, outros sintomas começam aparecer, como: candidíase oral, aparecimento de gânglios na virilha, axilas e pescoço, diarréia e febre, perda de 10% do peso do corpo e transpirações noturnas. Na fase mais aguda da doença, sintomas comuns incluem: afecções dos gânglios linfáticos, dores musculares e nas articulações, feridas na área da boca, esôfago e órgãos genitais, faringite, estado de prostração, sensação constante de cansaço, náuseas e vômitos, sensibilidade à luz e perda de peso. 

Quais são as formas de tratamento da aids?

A aids não tem cura, mas já existem medicamentos disponíveis capazes de garantir uma vida com mais qualidade e mais longa para o paciente. Os remédios de tratamento geralmente são um combinado de três drogas e cada paciente decide com seu médico a melhor opção. Entre as formas de tratamento estão: inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa, inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa, inibidores de protease, inibidores de fusão e inibidores de integrase. O médico infectologista indicará o mais adequado de acordo com cada caso e cada paciente.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) começou a preocupar autoridades de saúde pública em 1981, quando uma doença misteriosa foi registrada nos Estados Unidos. No entanto, o vírus da imunodeficiência humana (HIV) circula entre os seres humanos desde o final do século XIX.

Ao longo da década de 1980, a AIDS se espalhou rapidamente pelos cinco continentes, infectando 300 mil pessoas e provocando uma epidemia mundial. No início, a enfermidade era considerada uma sentença de morte e foi associada a apenas alguns grupos populacionais, o que gerou muito preconceito e perseguição.

Apesar de ainda não ter cura, as descobertas científicas ao longo da história permitiram adotar estratégias mais eficazes para a prevenção da doença, como o uso de preservativos, e o tratamento de seus sintomas, possibilitando o controle e a convivência. 

Primeiras descobertas sobre a AIDS

Os primeiros casos identificados como AIDS foram registrados a partir de 1977 nos Estados Unidos, Haiti e África Central. Contudo, a doença começou a chamar a atenção quando o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) publicou um relatório, em 1981, sobre a morte de cinco homens por pneumonia.

No ano seguinte, a enfermidade ganhou o nome de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (que forma a sigla AIDS em inglês), e foi descoberto que o vírus poderia ser transmitido por contato sexual, uso de drogas injetáveis ou exposição de sangue e derivados.

Em 1983, o vírus causador da doença consegue ser isolado e o primeiro caso de transmissão da mãe para o filho durante a gestação é identificado. Um ano depois, é criado o primeiro teste de sangue capaz de fazer uma triagem do vírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em 1987, o Programa Global sobre a AIDS para incentivar políticas de saúde com base em evidências científicas e desmistificar a enfermidade. No mesmo ano, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprova o primeiro medicamento contra a síndrome, zidovudina (AZT), utilizado até hoje.

Contudo, a terapia contra a AIDS começou a ser mais eficaz com a aprovação do primeiro inibidor de protease, em 1995, que deu origem a uma nova era de tratamento antirretroviral. Nos países que puderam introduzir o tratamento, as taxas de mortes e hospitalizações relacionadas ao HIV caíram de 60% a 80%.

Em 1997, quando 30 milhões de casos ativos eram estimados em todo o mundo, uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais em único comprimido foi aprovada pela FDA. Conhecido como Combivir, o remédio facilitou o controle da doença.

Redução de custos

Os medicamentos promoveram um aumento da expectativa e da qualidade de vida das pessoas com HIV. No entanto, os custos do tratamento sempre foram altos. Por isso, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) criou, em 2001, um fundo global para auxiliar países e organizações a adquirir os remédios.

Na mesma época, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou os países em desenvolvimento a fabricar medicamentos genéricos para enfrentar a crise de saúde pública. Isso levou a farmacêuticas detentoras de patentes dos remédios a reduzir os preços cobrados.

Prevenção combinada

Profilaxia pré-exposição pode ser utilizada no combate à AIDS. (Fonte: Shutterstock/Marc Bruxelle/Reprodução)

Profilaxia pré-exposição pode ser utilizada no combate à AIDS. (Fonte: Shutterstock/Marc Bruxelle/Reprodução)

Durante a década de 2010, foi desenvolvida uma profilaxia pré-exposição (PrEP) em um único comprimido que combina os antirretrovirais Tenofovir e Emtricitabina, indicados para subgrupos com taxas maiores de prevalência de HIV.

O tratamento faz parte de uma série de ações combinadas de prevenção, que englobam também o uso de preservativos masculino e feminino em relações sexuais, testagem regular para o HIV, inclusive durante o pré-natal, política redução de danos para pessoas que usam drogas, diagnóstico e tratamento de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) e das hepatites virais.

Mesmo enfrentando todos esses problemas, Freddie Mercury continuou gravando e escrevendo músicas, até mesmo gravando clipes. Em 5 de setembro de 1991 foi gravado o último clipe da banda “These Are The Days Of Our Lives”

Algumas músicas que foram gravadas e escritas na época foram: 

  • In my defence 
  • One year of love 
  • The show must go on
  • living on my own 
  • dont stop me now