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Conheça Godard, o gênio incompreendido que teve um filme censurado pela ditadura.

Foi anunciada a morte do grande nome do Cinema Novo francês, Jean-Luc Godard, grande cineasta franco-suiço que deixou um legado cinematográfico magnífico, influenciando gerações de diretores e mudando a história do cinema

Nouvelle Vague foi um dos maiores movimentos do cinema e um dos mais revolucionários e teve em Jean-Luc Godard seu símbolo mor, dentre as características principais estão os cortes bruscos, diálogos existencialistas e melodramáticos e o uso de iluminação natural para trazer um tom mais realistas para a obra

Entre suas maiores obras estão “O demônio das onze horas”, “Masculino, feminino”, “Duas ou três coisas que eu sei dela” e “A chinesa”, este último sendo censurado durante a Ditadura Civil MIlitar

Confira abaixo a ficha de censura:

Godard nasceu no final de 1930, mais precisamente em 3 de dezembro de 1930, em Paris, na França, mas passou boa parte de sua infância na Suécia. Entretanto, regressou à França para se licenciar em Etimologia na Universidade de Paris.

Em 1950, ele entrou de cabeça no mundo cinematográfico ao ter contato com Truffaut, Bazin, Rivette, Chabrol e Rohmer, o que seria mais tarde o grupo fundador da Nova Onda, como ficou conhecida no Brasil, que tinha o objetivo de renovar o cinema francês. Logo em 1955, ele lança seu primeiro curta metragem intitulado “Operação Concreto”, e um pouco mais tarde em 1959, ele investe em seu primeiro longa-metragem “Acossado”

Mas em 1967, ele lança uma de suas maiores obras, “A chinesa”, em que o enredo gira em torno de um grupo de estudantes de Nanterre, que fazem parte de uma célula comunista durante as férias de verão, discutem sobre o marxismo-leninista, a linha de pensamento moscovita e chinesa. Além disso, conta com fortes mensagens contra as nações imperialistas, principalmente os Estados Unidos da América, contextualizando com a Guerra do Vietnã.          

O filme, como grande parte das obras do Jean-Luc, trazem falas, diálogos e até mesmo cenários que questionam o contexto político-social, como podemos ver nas seguintes imagens:

           

           

Tanto é que foi um grande nome que apareceu nas músicas brasileiras nos anos 80, no contexto pós ditadura, em músicas que vão de Legião Urbana a Gilberto Gil. Entretanto foi com a música “Eduardo e Mônica” que a geração do fim do século passado conheceu Godard, no famosíssimo trecho: “Eduardo e Mônica trocaram telefone // Depois telefonaram e decidiram se encontrar // O Eduardo sugeriu uma lanchonete // Mas a Mônica queria ver o filme do Godard”, a música consiste no relacionamento totalmente improvável entre dois opostos, até mesmo mostrando o abismo cultural entre ambos. Por outro lado, as citações ao grande cineasta não ficam restritas ao século XX, “Anselmo” e “Cinema”, músicas mais atuais que ainda carregam o nome desse gênio eterno

A partir disso, é possível perceber como as obras de Godard trazem a essência do cinema, questionar e nos fazer refletir sobre a sociedade em que vivemos, nos faz abrir nossa mente para as mais diversas situações, ideias e histórias e com certeza perpetuará seu legado por um bom tempo, porventura até a eternidade. Vale ressaltar que Godard ainda teve obras nesse século como “Adeus à linguagem(2014)” e “Imagem e Palavra(2018)”.