A EVOLUÇÃO.
A figura feminina sempre esteve muito presente na arte, tanto em pinturas famosas, como em textos literários e canções melodramáticas, enaltecendo e demonstrando compaixão do eu-lírico pela sua amada. Mas então por que ainda existe tanto preconceito com elas?
Quando buscamos a representação da mulher ao longo da história, percebe-se o envolvimento de ideologias enfrentadas por elas durante cada período histórico. A mulher aparece sob idealizações neutras ou contraditórias, elaboradas segundo os valores seguidos em cada época. A representação da mulher na arte surge como imagens da qual apresenta atributos diversos como: beleza física, formas generosas e maternais.
A IMAGEM DA MULHER NA PRÉ-HISTÓRIA
Durante a pré-história, os objetos artísticos não foram criados para decorar o corpo ou as cavernas , mas sim como tentativa de controlar e tranquilizar as forças da natureza. Os símbolos de animais e de pessoas tinham significados místicos e sobrenaturais para os povos da época.
A Vênus de Willendorf foi a primeira imagem conhecida de uma mulher na pré-história. A escultura de pedra apresenta curvas avantajadas, com os seios, quadril e ventre gravados de forma exagerada, simbolizando, acima de tudo, a fertilidade, o “dom feminino”.
A estátua simboliza a mulher mãe, símbolo da fertilidade e da vida. Possivelmente, também, a representação de uma deus primária, sendo associada à terra como fonte de nutrição.
A IMAGEM DA MULHER NA IDADE ANTIGA
Nessa época, a mulher era retratada na forma de busto ou estátua quando tinha certo tipo de relevância, mas isso só acontecia quando estivesse ligada à figura masculina.
As figuras femininas que ganharam destaque nessa época foram a Virgem Maria e Eva, que simbolizavam a maternidade e o pecado.
Eva não representava algo ruim, pois, de acordo com a filosofia cristã, o pecado nada mais é que a obtenção de consciência de que temos um corpo, e de que esse corpo é falível, e aí sim passível a ações que prejudicam a alma. Aqui ainda se fala do corpo-mulher simbólico, um ícone. Esse simbolo abrage tos os sigificados, interrelacionando o sexo à existencia humana.
A IMAGEM DA MULHER NA IDADE MÉDIA
A representação da mulher estava presente tanto em pinturas como em estátuas. Nesse período o corpo feminino vem ganhando conotações mundanas e começa a se afastar da ideia estritamente religiosa.
As representações femininas se afastavam dos conceitos iniciais, de vida e fertilidade e se aproximam dos conceitos de sexualidade e sensualidade e da idealização do corpo feminino como algo belo.
Diante de representações de mulheres diversas (aristocratas, religiosas, serviçais, mães, esposas), a figura feminina se distancia do seu intuito principal de portal entre a vida e a morte e passa a se categorizar entre os poderes econômicos e sociais terrenos.
A IMAGEM DA MULHERES NA IDADE MODERNA
Durante essa época, as pinturas e esculturas buscavam estar o mais parecido possível com a realidade, estavam de acordo com as proporções humanas com rigor. Na maioria das obras os propósitos religiosos persistiam, mas o corpo e sua beleza ganhavam cada vez mais importância.
O ideal medieval de uma dama aristocrata graciosa e delicada, de ancas estreitas e seios pequenos agora dava lugar a um modelo feminino mais carnudo, com ancas largas e seios fartos. Exemplos dessa representação são a “Monalisa” de Leonardo Da Vinci e as “Madonas” de Rafael.
Afastado do mistério, agora o corpo feminino estava ora nu ora vestido e passa a ter novos significados. Ao lado de retratos respeitosos, “odaliscas” e “cortesãs” passam a ser oferecidas como objetos de prazer estético.
Tendo sua identidade mítica e religiosa retirada de si, o corpo da mulher agora, diante de um visão patriarcal, servia de para exibição e manutenção do status social, e era vista também como objeto sexual, submissa ao homem.
A IMAGEM DA MULHER NA IDADE CONTEMPORÂNEA
Já no início do século XIX, surge na Europa, como uma estética burguesa, o Romantismo, que se destaca pela tristeza e melancolia. Entretanto, em sua primeira fase, foram produzidas muitas obras em que o eu lírico idealizava a mulher como um ser quase divino e entrava em completa depressão, chegando a preferir a morte à viver sem a sua amada.
Já na virada do século XX, a imagem feminina estava fortemente atrelada aos primeiros movimentos femininos de emancipação, e será no formato de quadrinhos, charges, tirinhas que apresentam a figura feminina bem diferente das anteriores. As mulheres ora apareciam como mãe ou esposa, ora como heroína moderna e ousada. Assim a mulher deixa de ser vista como sagrada/pecadora e passa a ser humana.
A IMAGEM DA MULHER NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX
A partir dos anos 30 até os dias atuais, ao lado das mulheres submissas ao homem, as namoradas de super heróis, surgem mulheres as que se tornam protagonistas e se impõem em várias situações.
As heroínas passam a ganhar espaço e reconhecimento como mulheres fortes, mesmo que suas histórias não tratem de temas convencionais de mulheres comuns.
É inegável o fato de que a Mulher Maravilha ganhou uma enorme representatividade dos últimos anos pra cá, levando a fama de uma mulher forte e destemida.
Finalmente, a imagem feminina tem recebido um olhar diferente da soiedade, sendo finalmente reconhecidas como pessoas fortes e destemidas, se desprendendo cada vez mais do papel submisso que haviam lhe imposto.